29.8.08

Morrendo na mão

Na aventura diária, resolvi arriscar-me por entre as árvores do Água Verde. Atraquei-me pela Buenos Aires e pude contemplar a Arena da Baixada por outro ângulo. Vazia ela é linda, silenciosa como tantas vezes ficou ao ter que engolir os gols visitantes. Meio de semana, e já quase anoitecia. Peguei a rua do cemitério, a única escura e sem movimento do bairro. Analisei cuidadosamente os túmulos e lá me imaginei daqui uns anos. Um cubículo, uma caixa dentro de quatro paredes e uma placa. Continuei a caminhada pela calçada, com medo dos moradores silenciosos ao lado e, principalmente, do meu futuro. Talvez um dos poucos momentos em que estive só com meu pensamento. Pensei na minha família, nos meus avós e nos meus pais. Eles também pensam na morte, talvez até mais do que eu.
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O problema é que quando se pensa muito na morte, morre-se em vida. Eu já vi muitos que morreram em vida. Já tive, e as vezes tenho vontade de morrer. Experimentar esse mistério e não existir. Mas o problema que me leva a ter medo da morte não é necessariamente deixar de existir ou nunca mais voltar ao mundo. O que mais me dói é saber que, no outro dia da minha partida, a vida vai continuar como sempre foi.

3 comentários:

O homem de um blog só. disse...

Cara, pare de perder tempo na rua se aventurando e pensando na vida, vai pra casa estudar, senão você vai continuar sendo um isento.

Angelo Horst disse...

Eu tava pensando na morte, não na vida, heheh

tatiana disse...

Sartre diz algo assim. Que a morte é a continuação da vida dele sem ele.

Acho válido pensar sobre o assunto - quanto menos se reflete e/ou discute, mais apreensão se tem. Mas que é um pouco assustador, isso é. Não mais assustador que morrer em vida, certamente.