(Começa dois posts abaixo)
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Eros voou sozinho, retornando para sua mãe, seu mundo interior e aí, novamente, Afrodite volta a comandar. Apavorada com o abandono de seu amor, Psiquê pensa em se jogar no rio. Chegando lá, encontra Pan, o deus de pés fendidos, com a ninfa Eco em seu colo, sentado à beira. Ao vê-la prestes a jogar-se nas águas, Pan dissuade-a. Diz a Psiquê que ela deve rezar ao deus do amor, pois Eros compreenderá aqueles que estão abrasados por ele.
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Não deu outra: Psiquê reza, e ao invés de ir diretamente a Eros pedir ajuda, se direciona a Afrodite. Ouve da deusa uma dura preleção, que lhe impõe quatro tarefas para a libertação de Psiquê.
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A primeira tarefa imposta a Psiquê é separar uma montanha de sementes de tipos variados até o anoitecer. Caso contrário, Afrodite lhe mandará a morte. Através de Eros, as formigas ajudam Psiquê na tarefa e ela consegue separar todas as sementes. Irritada com o cumprimento da tarefa, Afrodite manda que Psiquê atravesse o rio e pegue lãs de ouro de carneiros ferozes que estão no bosque. Desesperada com a tarefa, Psiquê chora por não ter força para brigar com os animais, até que os juncos do bosque lhe dizem para esperar o anoitecer e pegar as lãs presas nos pequenos arbustos. Mais uma vez Psiquê consegue cumprir a tarefa.
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A terceira tarefa é mais difícil ainda. Afrodite manda que ela encha uma taça de cristal com água da Estige, um rio que nasce no alto de uma montanha, desaparece sob a terra e retorna à montanha. Além de ser guardado por monstros perigosos, é também um rio circular, que depois de passar pelas regiões abissais do inferno, sempre retorna às suas origens. Desestruturada mais uma vez, Psiquê se sente derrotada. É então que aparece a águi de Zeus, que pega a taça de crista, voa até o centro do rio perigoso e de lá traz o cálice cheio para Psiquê, que assim vê completada sua tarefa.
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Na quarta e última tarefa Afrodite ordena à jovem que desça aos infernos para receber das mãos de Perséfone um cofre onde ela guarda seu ungüento de beleza. Deverá levar duas moedas na boca e dois pedaços de pão de cevada; não poderá ajudar ninguém que pedir sua ajuda e muito menos comer comidas que não sejam simples. Mas antes, é necessário que ela encontre uma torre apropriada, uma construção dos homens que lhe de informações sobre o caminho. Lá vai ela: entrega uma moeda ao barqueiro do rio Estige que a carrega; nega ajuda aos que pedem e entrega um pedaço de pão a cachorro de três cabeças que guarda o inferno. Enquanto isso adentra o inferno, esperada por um banquete (negado), e Perséfone que lhe entrega o cofre com o ungüento da beleza. Na volta, cumpre as mesmas tarefas mas tentada pela possibilidade de se tornar mais bela ainda, abre o cofre e o que escapa de lá não é um sono de beleza, e sim um sono de morte. Cai no chão como morta.
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Outras palavras: A palavra “pânico” vem do deus Pan. Não se pode tirar ninguém de seu sofrimento prematuramente. Encarando Eros como o animus da mulher, pode-se dizer que ele prendeu Psiquê na inconsciência (paraíso), ela acende a luz da consciência e ele voa novamente a seu mundo interior. A evolução da mulher só se dá quando ela liberta-se do componente masculino que exerce força sobre ela. Em relação as tarefas, as formigas, os juncos, a águia e a torre novamente representam o animus atuando na mulher. A tarefa feminina de separar é visivelmente encontrada no lar, e até mesmo, inconscientemente nas "sementes" depositadas pelo homem em seu corpo. Porém, enfrentar os carneiros como os homens talvez não seja apropriado, é preciso utilizar mais a racionalidade. A águia focaliza os pontos para depois agir, um passo de cada vez. A torre pode ser encarada como uma fortaleza, como os exercícios espirituais.
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(Termina no próximo post)