29.6.07

Teoria da Relatividade

Não me lembro de ter aprendido sobre a Relatividade de Einstein, e se tive a oportunidade para tal, não vou dar aquela desculpa esfarrapada: "faltei nessa aula"... não aprendi por que realmente não sou um adepto fervoroso da Física, sempre achei a mesma rude, sistemática, compulsiva e pouco maleável.
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Lembro muito bem de uma aula de Física no ensino médio em que eu estava sentado na última fileira, e propositalmente, na última carteira. Como eu não entendia a aula expostas, tirei da mochila um livro do Graciliano Ramos e comecei a ler... não passou 5 minutos o professor se dirigiu até o local onde eu estava sentado, deu uma olhada no livro e depois de perceber que eu não tinha resolvido os exercícios da apostila, disse em tom ameaçador: "te vira piá!". Isso me causou uma sensação de desprazer e de revoltada para com a Física, mesmo sabendo que eu estava errado.
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Além disso, nunca me imaginei estudando a fundo as tantas variáveis que envolvem força, massa, distância, atrito, velocidade final e inicial, velocidade média, gravidade, altura, tempo e tantas outras coisas do universo que a Física tomou como objeto de estudo. Acredito que é de nascença o meu gosto pelas ciências humanas.
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Enfim, voltamos a Relatividade. Imagino que a Teoria proposta pelo cara de cabelos engraçados envolva a luz, energia, massa, velocidade, espaço e tempo. Tudo muito complicado que, de certa forma, se resume a uma equação: E = mc². Algo muito interessante, e que, parafraseando Shakespeare, faz com que descubramos outras coisas que existem entre o céu e a terra do que supõe nossa vã filosofia. Mas eu me pergunto, e a poesia? Será que a poesia da Teoria foi "puxada" por um buraco negro?
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Tenho certeza que se eu perguntar para um físico quântico sobre a Teoria da Relatividade, ele vai usar termos técnicos e vai complicar ainda mais o pouco que sei sobre a mesma, fazendo com que eu fique mais distante do conhecimento sobre o universo.

Diferentemente do físico quântico, o poeta é mais romântico e tende a dizer o que você quer ouvir. Se eu perguntasse a um poeta qualquer sobre a Teoria da Relatividade, tenho certeza que o mesmo diria: "Um minuto com o pé na fogueira parece uma hora; um minuto ao lado da pessoa amada parece um segundo". Por mais que a explicação do poeta não tenha a ver com a Teoria do Einstein, eu ficaria satisfeito e quem sabe até iria me interessar mais pelas leis da física.

Se tudo fosse poesia, não seria tudo lindo?

28.6.07

Burro-Cracia

Se na Copa América de futebol nós perdemos para o México, nesse assunto nós demos o troco. Uma pesquisa aponta que o Brasil é campeão em dificultar negócios. O país aparece em primeiro lugar no ranking dos países em que as empresas enfrantam mais dificuldades burocráticas para ampliar seus negócios, e não é de se estranhar, afinal não é a toa que 80% de empresas exportadoras reclamam da lentidão para liberação de mercadorias.
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Aos torcedores de plantão: Mesmo isso sendo algo que atrasa o crescimento do país, além de ganharmos do México, ganhamos da Argentina também. Somos o primeiro país no ranking, enquanto a mesma encontra-se na amarga 6ª posição. Se isso valesse para a Copa América, Argentina e México estariam fora das semi-finais. Ufa! Pelo menos isso!

26.6.07

A política...

Do jeito que a coisa anda, acredito que não é nenhuma ofensa citar o pequeno texto abaixo. Muitos já devem conhecer, mas a esperança continua viva:
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"O mundo seria mais belo e o país mais adequado se algumas coisas voltassem a ser o que sempre foram: se Rosinha voltasse a ser uma flor pequena, se Garotinho voltasse a ser uma criancinha, se Marta parasse de gracinhas e voltasse a ser aquele bicho felpudo. O mundo seria mais bonito se Serra continuasse sendo uma ferramenta ou um acidente geográfico, se Genro voltasse a ser o marido da filha (não da minha!), se Lula continuasse sendo apenas um molusco marinho e se Severino voltasse a ser o simpático porteiro do prédio."
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Continuar acreditando no futuro da Nação é um grande desafio.

22.6.07

Pseudo-stress

Pra quem necessita fazer uma pesquisa sobre os vários tipos de "reclamações" de alunos, sugiro que a mesma seja feita no final de semestre, no período em que as aulas estão acabando. Em todo canto que você vai tem alguém com caderno, livro, cópias de arquivos, e com certeza, reclamações. A mais comum entre todas é: "Não aguento mais, preciso de férias!". Quem nunca disse isso antes, hein? Realmente o término das aulas faz com que todos se cansem, fiquem stressados, e faz, principalmente, com que todos os professores se tornem um pé no saco! Coitados, são eles que pagam pelas nossas incoerências estudantis e pela nossa falta de memória, afinal, sempre fazemos questão de esquecer que para sermos bons profissionais é necessário estudar... e muito.
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19.6.07

Baile Popular

Isso aqui é igual festa de aniversário: quando não se sabe qual presente dar ao aniversariante, o tiro certo é dar um presente neutro, como um livro. No meu blog há uma inversão das palavras do livro pelas pinturas dos quadros.

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Por Di Cavalcanti

16.6.07

Dádiva é dívida

Tudo é troca. Por mais que queiramos apenas fazer algo de bom coração, sempre fazemos com o intuito de ter algum tipo de recompensa. Se alguém te cumprimenta na rua e você não responde, logo você é visto como antipático. Aniversário também, se você não retribui o convite que recebeu com um singelo presente, a situação tende a ficar desagradável. Marcel Mauss, sobrindo do sociólogo Émile Durkheim, um dia escreveu: "Toda dádiva gera dívida" e com razão, afinal, essa universalidade do sistema de trocas é a base fundamental para a sociabilidade e comunicação humana.


14.6.07

EGOcêntrico

Comum é escutarmos as frases: "O que importa é o que você sente!", "Isso te fez bem? Ah, então tá valendo!". É assim que aprendemos a nos comportar. O que o outro sente não importa, é banal, o importante é o que nós sentimos. Somos criados para o egocentrismo, para sermos os donos do mundo. Diálogo geralmente vira monólogo... é você soltar algumas palavras que o outro logo diz: "eu também". Pronto, agora aguente.



11.6.07

Minha namorada!

Quem não tem namorado é alguém que tirou férias remuneradas de si mesmo. Namorado é a mais difícil das conquistas. Difícil porque namorado de verdade é muito raro. Necessita de adivinhação, de pele, saliva, lágrima, nuvem, quindim, brisa ou filosofia. Paquera, gabira, flerte, caso, transa, envolvimento, até paixão é fácil. Mas namorado mesmo é muito difícil.

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Namorado não precisa ser o mais bonito, mas ser aquele a quem se quer proteger e quando se chega ao lado dele a gente treme, sua frio, e quase desmaia pedindo proteção. A proteção dele não precisa ser parruda ou bandoleira: basta um olhar de compreensão ou mesmo de aflição.
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Quem não tem namorado não é quem não tem amor: é quem não sabe o gosto de namorar. Se você tem três pretendentes, dois paqueras, um envolvimento, dois amantes e um esposo; mesmo assim pode não ter nenhum namorado. Não tem namorado quem não sabe o gosto da chuva, cinema, sessão das duas, medo do pai, sanduíche da padaria ou drible no trabalho.
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Não tem namorado quem transa sem carinho, quem se acaricia sem vontade de virar lagartixa e quem ama sem alegria.
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Não tem namorado quem faz pactos de amor apenas com a infelicidade. Namorar é fazer pactos com a felicidade, ainda que rápida, escondida, fugidia ou impossível de curar.
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Não tem namorado quem não sabe dar o valor de mãos dadas, de carinho escondido na hora que passa o filme, da flor catada no muro e entregue de repente, de poesia de Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes ou Chico Buarque, lida bem devagar, de gargalhada quando fala junto ou descobre a meia rasgada, de ânsia enorme de viajar junto para a Escócia, ou mesmo de metrô, bonde, nuvem, cavalo, tapete mágico ou foguete interplanetário.
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Não tem namorado quem não gosta de dormir, fazer sesta abraçado, fazer compra junto. Não tem namorado quem não gosta de falar do próprio amor nem de ficar horas e horas olhando o mistério do outro dentro dos olhos dele; abobalhados de alegria pela lucidez do amor.
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Não tem namorado quem não redescobre a criança e a do amado e vai com ela a parques, fliperamas, beira d'água, show do Milton Nascimento, bosques enluarados, ruas de sonhos ou musical da Metro.
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Não tem namorado quem não tem música secreta com ele, quem não dedica livros, quem não recorta artigos, quem não se chateia com o fato de seu bem ser paquerado. Não tem namorado quem ama sem gostar; quem gosta sem curtir quem curte sem aprofundar. Não tem namorado quem nunca sentiu o gosto de ser lembrado de repente no fim de semana, na madrugada ou meio-dia do dia de sol em plena praia cheia de rivais.
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Não tem namorado quem ama sem se dedicar, quem namora sem brincar, quem vive cheio de obrigações; quem faz sexo sem esperar o outro ir junto com ele.
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Não tem namorado que confunde solidão com ficar sozinho e em paz. Não tem namorado quem não fala sozinho, não ri de si mesmo e quem tem medo de ser afetivo.
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Se você não tem namorado porque não descobriu que o amor é alegre e você vive pesando 200Kg de grilos e de medos. Ponha a saia mais leve, aquela de chita, e passeie de mãos dadas com o ar. Enfeite-se com margaridas e ternuras e escove a alma com leves fricções de esperança. De alma escovada e coração estouvado, saia do quintal de si mesma e descubra o próprio jardim.
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Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para quem passe debaixo de sua janela. Ponha intenção de quermesse em seus olhos e beba licor de contos de fada. Ande como se o chão estivesse repleto de sons de flauta e do céu descesse uma névoa de borboletas, cada qual trazendo uma pérola falante a dizer frases sutis e palavras de galanteio.
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Se você não tem namorado é porque não enlouqueceu aquele pouquinho necessário para fazer a vida parar e, de repente, parecer que faz sentido.
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Artur de Távola



Se isso é ter namorado(a), eu tenho e amo.

5.6.07

A lei da selva

É engraçado como as coisas mudam. No ano de 1961 erguia-se o Muro de Berlim, que durante 28 anos separou não só as Alemanhas Oriental e Ocidental mas também o mundo. Fruto de uma verdadeira esquizofrenia geopolítica, o Muro limitava o terreno e deixava evidente as ideologias capitalista e socialista. Hoje, depois de quase 20 anos do fim da Guerra Fria, a Alemanha ergue outro muro: não para separar ideologias políticas, mas para enaltecer e proteger somente o bom e velho Capitalismo.

4.6.07

O torcedor

Sempre fui apaixonado por futebol. No fim de semana que passou, eu e três amigos fomos assistir o jogo do Paraná, que na ocasião enfrentava o São Paulo (meu time do coração). Depois de muito tentar a troca de ingressos com os cambistas, acabamos ficando na torcida do Paraná. Que situação! O jogo inteiro as pessoas chamavam os torcedores e jogadores do São Paulo de bambi (maldito Vampeta!) e aquilo de certa forma me ofendia, mas eu não podia reclamar, afinal eu estava "torcendo" para o Paraná! Tive que aguentar tudo calado.
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Engraçado e triste foi o momento do jogo em que um dos jogadores do São Paulo saiu do campo arrastado com suspeita de ruptura dos ligamentos do joelho. Nesse instante, todos gritavam: "Fingido, sem vergonha! Levanta sua moça!", e eu calado ... até que uma hora um rapaz torcedor do Paraná fica me encarando como se estivesse desconfiando da minha postura, e eu, pra despistar o olhar, com toda a dor no coração pela lesão do jogador, grito: "Levanta boneca!". Foi triste. Na hora que o São Paulo fez o gol então nem se fala. Soltei o grito ofendendo meu time de coração, mas na verdade eu estava liberando a alegria que eu senti na cobrança do pênalti.
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Outros podem me chamar de "vira casaca", não tem problema. Galileu Galilei desmentiu sua teoria do Heliocentrismo para não ser morto pela Inquisição, mesmo sabendo que ele estava certo. Pedro negou Cristo por três vezes, e mesmo assim tornou-se o primeiro bispo de Roma. Um traiu a si mesmo e as suas próprias convicções... outro negou seu Salvador, e eu? Apenas por um momento neguei meu time do coração, mas quando cheguei em casa, pude dizer sem medo que o São Paulo sempre foi o melhor.
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Na arquibancada do Paraná: eu e o Nenê fomos os principais torcedores paranistas... mas só por alguns instantes.